é o espaço, presenteem todas as plataformas de escuta musical, em que apresento álbuns com composições minhas — letra & melodia —, trabalhadas por mim numa lenta arquitetura de arranjo, dramaturgia sonora e engenharia poético-musical em estúdio digital, a partir das minhas performances voz e violão. Interessa-me frequentemente explorar minhas músicas como sistemas quânticos, convidando quem escuta a escolher um dos universos paralelos da mesma música para entrar e viajar.
Abaixo, conto histórias e revelo o conceito de cada álbum, além de trazer as letras, versões voz-violão e alguns teasers e clipes também. Percorrer esta página é como abrir um encarte vivo de todos os álbuns.
A partir de uma sucessão de poemas em diálogokieslowskiano nos meus três primeiros livros: compus esta música. O poema que fecha o meu primeiro livro — outono azul a sul— tem por nome: toda varanda quer ser um navio. No meu segundo livro — tesserato — há outro poema, chamado desvértice, que responde a esse do primeiro. No terceiro livro — a tela finalmente escura — há um novo posicionamento-resposta aos dois anteriores, e esse terceiro poema chega à pergunta-chave do próprio livro: qual é a velocidade da escuridão? São poemas que falam do que prende e liberta a condição humana.
Este álbum contém o single com a composição que junta o terceiro poema com parte do segundo, e nela busquei acender a poesia das palavras:
Letra e Música: carolina floare boreaz
[ poesia dos livros a tela finalmente escura e tesserato ]
Composição: 2019-2025
Lançamento: 2026
Produção e Direção Artísticas: carolina floare boreaz
Capa do Álbum: carolina floare boreaz
TODA VARANDA QUER SER UM NAVIO
é que lembra:
toda varanda quer ser um navio
mas
navio que parte e não se aparta parte-se, aperta-se a pertença,
aporta-se a pretensa parte — a porta se abre
rangem
todos os silêncios junto de todos os nomes do mundo
e então,
ao sossego que mora na orla
das ruínas
foi perguntado:
qual é a velocidade da escuridão?
. . .
varandas que se querem desavarandadas, em navegação
o que
parece navegação não é ainda rotação?
e um eixo, por mais invisível, ainda é uma prisão.
mas
Há um poema no meu primeiro livro — outono azul a sul, publicado em 2018 no Brasil, em Portugal e na Galiza — que, logo que nasceu, virou música na minha cabeça. Ei-la. O poema original chama-se além, ali se amou (no despaís das maravilhas), começa com uma referência à canção Over the rainbow e termina transformando a promessa colorida do rainbow em Rimbaud — o nome do poeta francês (Arthur Rimbaud), que simboliza o amor-limite, o excesso que rompe.
Este é um álbum geográfico-biográfico, em que o ali de ali se amou se espraia por 6 lugares diferentes que fazem parte de uma história (um amor), tornando-se, assim, um álbum quântico, em que a mesma música vive em seis versões paralelas. E tu escolhes para (por) onde ir:
1. (Posto 6)
O Posto 6 de Copacabana, minha casa afetiva e concreta no Rio de Janeiro, abraça com o seu samba a poesia e a melodia desta história, numa sessão-raiz da música.
2. (Atlântico)
Esta é uma grande viagem poético-musical em homenagem às minhas travessias atlânticas entre os hemisférios sul e norte, enquanto vivia esta história. Concebi esta viagem começando no calor da kizomba de Luanda, atravessando a nostalgia de um canto mouro do folclore português, e chegando ao sol do reggae de Kingston.
3. (Lisboa)
Esta é uma sessão dark e melancólica, evocando a mistura de mundos e a saudade marítima entranhadas em Lisboa, mas evolui para um rap como quem agarra uma virada.
4. (Madrid)
Chegamos a uma Madrid flamenca e moura, cheia de esquinas e reviravoltas, e com uma homenagem a um canto folclórico da também um dia moura Beira Baixa portuguesa, onde tenho raízes profundas.
5. (Foz do Iguaçu)
Com a exuberância e a catarse das cataratas do Iguaçu — onde estive justamente quando a história estava em estado de sublimação — esta sessão abraça a poesia e a melodia com uma batida pulsante e revigorante.
6. (Buenos Aires)
Concebi esta sessão como uma luta: uma corrida techno no tempo, na qual o tango fica tentando entrar para caminhar junto e é continuamente expulso, numa viagem hipnótica e multidimensional em que a forma da música é metalinguagem contando a essência desta história.
Letra e Música: carolina floare boreaz
[ poesia do livro outono azul a sul ]
Composição: 2019
Lançamento: 2026
Produção e Direção Artísticas: carolina floare boreaz
Compus esta música à beira de um possível amor, olhando para ele ainda sem propriamente senti-lo. Já sentiste isto?
Este álbum é um sistema quântico em que a mesma música acontece em 8 universos paralelos de gêneros musicais diferentes, mostrando como uma mesma música pode existir em muitas vibrações. É um outro conceito de entrar num disco. Segue a tua preferência musical ou uma intuição do momento para escolher a viagem que vais fazer:
1. Rock session
O mood raiz, em que compus a música em 2016.
2. Reggae session
Um universo todo trabalhado nos detalhes solares do ritmo jamaicano.
3. Samba-reggae session
Uma cadência afro-baiana, com um final enigmaticamente feliz.
4. Trap session
Uma abordagem urbana, mais fria e espacial, para viajar dentro dos fones / auscultadores.
5. Tango session
Aqui quem conduz é uma pegada tanguera cinemática, com uma surpresa mais rioplatense no final.
6. Reggaeton session
Esta é uma homenagem ao calçadão de Copacabana, onde se mistura toda a América Latina e cuja batida oficial é o reggaeton. Entrei em transe ao construir o final hipnótico e quase infinito.
7. Pop session
Esta sessão é pensada para a leveza dos dias.
8. Heavy metal session
Uma viagem de fusão de estilos tão distantes como o metal pesado e a ópera, pensada para dias de força.
Letra e Música: carolina floare boreaz
Composição: 2016
Lançamento: 2025
Produção e Direção Artísticas: carolina floare boreaz
Capa do Álbum: carolina floare boreaz
VOU ESBARRAR EM VOCÊ
te vejo de longe e fico confusa
por te querer sem te chorar
por te amar sem te saber
a multidão entre nós é difusa
achei que te vi, será que te vi?
achei que te vi, será que te vi?
será que existe você?
será que te perdi?
fecho os olhos e caminho às cegas
vou esbarrar em você, assim de olhos fechados
vou esbarrar em você, meus cabelos vão penetrar os teus
Single com a versão mais noturna desta música, que compus num momento em que precisava abandonar um lugar de (des)amor. Pus-me o desafio de criar aqui uma atmosfera eletrônica, mas com uma certa uma nostalgia de chorinho.